Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira

A Seleção Brasileira, acostumada ao calor das críticas, à efervescência política da CBF e à eterna ansiedade de sua torcida, finalmente vai conhecer um técnico que representa o completo oposto disso tudo: Carlo Ancelotti, um maestro de sobrancelhas arqueadas e serenidade milanesa, assume o comando da Amarelinha no próximo dia 26 de maio.

Aos 65 anos, Ancelotti não chega como uma promessa, nem como um visionário excêntrico. Ele é, pura e simplesmente, o técnico mais vencedor da história da Liga dos Campeões — e agora, o novo dono do banco mais instável do futebol mundial.

A transição

O italiano deixa o Real Madrid após o último compromisso da equipe na La Liga, contra a Real Sociedad no dia 24. Dispensado da missão de liderar o clube merengue no Mundial de Clubes, sua saída foi costurada com elegância e um acordo verbal digno da velha guarda: nada de escândalos, apenas o fim de um ciclo.

Com contrato ainda vigente no Real, Ancelotti optou por abrir mão de R$ 22 milhões em salários para vestir o verde e amarelo. Em troca, terá direito a um jatinho para deslocamentos no Brasil, um apartamento no Rio de Janeiro e bônus milionários em caso de conquistas — especialmente o tão sonhado hexa, em 2026, nos EUA, México e Canadá.

O contexto: do caos ao controle

Ancelotti entra no lugar de Dorival Júnior, demitido em março após um curto e irregular período no cargo. Seu primeiro jogo oficial será no dia 6 de junho, contra o Equador, pelas Eliminatórias. O desafio não será pequeno: lidar com a pressão midiática, a falta de continuidade da seleção nos últimos anos e a expectativa quase mitológica de que “agora vai”.

Mas se existe alguém que não se intimida com o barulho, é Carletto. Em meio ao caos, ele respira fundo, ajeita o paletó e solta um “tranquilo”. Seus times jogam como ele vive: com elegância, disciplina tática e um toque de pragmatismo que beira o zen.

Um estrangeiro com alma de camisa 10

Ancelotti será o quarto estrangeiro da história a comandar a Seleção Brasileira — algo raríssimo por aqui, ainda mais em tempos de nacionalismo exacerbado no futebol. Mas há algo em seu estilo que parece combinar com o que o torcedor brasileiro sente falta: alguém que entenda a bola antes de entender o barulho em volta dela.

Mais do que títulos, Ancelotti traz o respeito dos jogadores. De Vinícius Júnior a Neymar, passando por Casemiro, Militão e Rodrygo, a maioria do elenco atual já foi liderada por ele — e o admira. Isso, no vestiário, vale tanto quanto um esquema tático bem desenhado.

A missão

Levar o Brasil de volta ao protagonismo mundial. Simples assim. Reconstruir a identidade da seleção, dar solidez a um time jovem e liderar com calma onde tantos sucumbiram à pressão. O hexacampeonato é o alvo óbvio, mas talvez o verdadeiro sucesso de Ancelotti seja devolver ao Brasil uma seleção que jogue com inteligência e alma — e que possa, finalmente, competir de igual para igual com as grandes potências europeias.

Se der certo, Ancelotti não será apenas o técnico do hexa. Será o italiano que entendeu o Brasil como poucos brasileiros conseguiram.