Rufem os tambores, preparem os memes patrióticos e estendam o tapete verde-amarelo
uma startup brasileira foi premiada na Escola de Saúde Pública de Harvard. Isso mesmo. HARVARD. O MIT de terno. O Olimpo da ciência global. E, pasme, o feito não veio de engenheiros formados em Stanford nem de bilionários em chinelos de couro — veio de dois dentistas paulistas. Vê se pode.
A startup se chama AI Pathology (porque nome em inglês sempre dá mais credibilidade, especialmente se tiver “AI”), e nasceu de uma história tão comovente quanto improvável: a morte do pai de Willian Boelcke por câncer de pele, que acabou transformando o luto em missão, a dor em propósito e a indignação em inovação.
Do luto à lâmpada acesa
Willian, que começou na economia (mas percebeu que Excel não cura ninguém), largou tudo e foi estudar odontologia. Durante o doutorado, começou a se interessar por diagnósticos oncológicos e pensou: “E se eu usasse IA pra isso?”. A resposta viria com a entrada em cena de Lucas Lacerda, um nerd legítimo, especialista em Inteligência Artificial e fluente em Python (a língua da galera que dorme com algoritmo no travesseiro).
Nasce o Nevo: IA que detecta câncer com um clique
Da parceria improvável nasceu o Nevo, um sistema que parece coisa de filme futurista, mas roda até em UBS com Wi-Fi do século passado. A mágica? Redes neurais convolucionais — basicamente, uma IA que analisa fotos de lesões na pele e grita (com educação médica): “Isso aí tá esquisito, procura um médico”.
E se você pensou “ah, mas isso só funciona em hospital caro”, pense de novo. A ideia é justamente o oposto: diagnosticar o mais rápido possível, onde for possível, com o que estiver disponível.
E como todo brasileiro não sabe parar quieto…
Eles já estão desenvolvendo o Curativa, um sistema automatizado via WhatsApp (porque claro, o zap é a infraestrutura oficial da saúde no Brasil), pra monitorar infecções pós-cirúrgicas. Ou seja, além de diagnosticar, a IA ainda vai mandar mensagem avisando: “Tá vermelho demais isso aí, hein, João?”
E o mundo notou. Finalmente.
A startup já despertou interesse de gente grande:
- USP (sempre de olho em talentos da casa)
- Fleury (porque exames valem ouro)
- Google e Oracle (porque big tech adora uma boa IA com potencial de salvar vidas — e gerar uns lucros no caminho, claro)
Agora, os meninos estão mirando o mercado americano, com o Nevo sendo preparado para os testes da FDA, a ANVISA de terno e gravata dos EUA. Se passar, é game on.
Moral da história?
Se você achava que o brasileiro só vira notícia internacional com escândalo, samba ou Neymar, repense. A ciência tupiniquim tá viva, criativa e — acredite — mudando o jogo. A gente só precisa parar de tratá-la como subcelebridade do Fantástico.
🇧🇷 Valeu, Willian e Lucas. Harvard que lute.