Huawei Mate XT: o celular triplo que você vai amar ver… e odiar querer comprar

Vamos direto ao ponto, sem dobras nem rodeios: você não deveria comprar o Huawei Mate XT. E tá tudo bem, porque, honestamente, você provavelmente nem conseguiria — a belezinha nem pisou oficialmente nos Estados Unidos ou Europa, e no Brasil… bem, boa sorte encontrando um desses fora do Mercado Livre por preço de carro usado.

Mas por que tanta restrição? Fácil: o Mate XT custa uns 4 mil dólares (na cotação do dia, o rim esquerdo), não tem suporte nativo aos apps do Google, ainda vive no 4G, e a sua durabilidade é, digamos… suspeita. Qualquer um desses motivos já seria o bastante pra você pensar duas vezes. Todos juntos? É tipo um sinal luminoso escrito “FUJA!”.

Mas calma lá: o Mate XT não nasceu pra ser comprado, e sim contemplado — como uma escultura moderna feita de tecnologia, vidro e decisões questionáveis. Ele existe pra você babá-lo em vídeos de unboxing, ver influencers dobrando a tela como origami, e pensar “nossa, um dia isso vai ser meu”… e seguir sua vida com um Galaxy de entrada.


Uma dobradinha tecnológica digna de circo chinês

Apesar do show todo, o Mate XT é o primeiro dobrável triplo do mundo (sim, triplo — a Huawei olhou pros dobráveis normais e pensou: “segura minha Tsingtao”). Enquanto a Samsung ainda está esquentando no banco, a Huawei tá aí, desfilando um celular que vira livro, depois vira tablet e depois… um convite ao pânico de quem tem TOC com riscos na tela.

E o mais surpreendente: ele nem parece tão “versão beta” assim. Claro, tem seus chiliques — como travar aplicativos quando você fecha ou abre o bicho, ou impedir que você use três apps ao mesmo tempo de forma decente. Mas, no geral, o Mate XT cumpre o que promete: um telefone, um mini-fold, um tablet… tudo no seu bolso (ou na mochila, vai depender da calça).


Três em um: celular, dobrável e tablet — na ordem da bagunça

  • Fechado: um celular honesto, com tela de 6.4″, espessura considerável (12,8mm), peso ok e câmera decente. Um Galaxy dobrável sem o Google e com mil restrições. Tranquilo.
  • Semi-aberto: o famoso “livro digital” que ninguém pediu. Útil pra ler PDF, escrever reviews que somem do nada (aconteceu, sim), e mostrar aos colegas que você é um early adopter com grana pra queimar.
  • Totalmente aberto: um tablet de 10.2″ perfeito pra ver Netflix, jogar ou fingir produtividade num voo de 12 horas. Parece mágica. Até você lembrar que a tela dobra em três partes e pode virar um origami de R$ 20 mil se cair no chão.

Bateria e fragilidade: o yin-yang dos dobráveis

Bateria? Surpreendentemente boa. São 5.600mAh que duram bem, considerando que você provavelmente não vai deixar ele escancarado o dia inteiro (até porque parece que vai quebrar só de olhar torto). Se você usa mais como tablet, aí sim, vai sentir a dor da bateria gritando por socorro.

Agora, sobre fragilidade: sim, ele é tipo um vaso de porcelana em forma de smartphone. Sem proteção contra água ou poeira, com uma parte da tela sempre exposta, e com duas dobradiças implorando pra dar problema daqui a um ano (ou uma semana). Meu modelo de testes, tratado com o mesmo carinho que um filhote de pug, já tem marcas na tela. Triste, mas esperado.


Então eu compro ou não?

Claro que não. Pelo menos não este. Esse é o protótipo glamouroso do futuro, o desfile de moda da tecnologia móvel. Ele é pra ser visto, não usado. A não ser que:

  • Você viaje todo mês de classe executiva,
  • Tenha um backup do backup do celular,
  • E consiga viver num mundo onde o Google não existe.

Agora… se algum dia sair um trifold com Android completo, 5G, preço razoável e uma carcaça que não dá medo de respirar perto — compre esse sim. Mas esse dia ainda não chegou.

Por enquanto, o Mate XT é o concept car dos smartphones. Lindo. Brilhante. Caro. Frágil. Inútil pra 99% dos mortais.

Mas que dá vontade de brincar com ele, ah… isso dá.