Mais uma daquelas manobras clássicas do governo: sobe imposto, recua parcialmente e, claro, quem paga a conta é… você, brasileiro raiz, que só queria comprar uns dólarzinhos pra viajar ou mandar aquele dinheirinho suado pra fora.
O resumo do show:
Na quinta-feira, o governo Lula, com a elegância de um elefante em loja de cristais, anunciou aquele pacotão pra aumentar o famigerado IOF — aquele imposto que ninguém entende, mas todo mundo paga. O alvo? Operações de crédito, especialmente para empresas, compra de dólar em espécie e investimentos em fundos no exterior.
Mas, como ninguém é de ferro (nem o mercado financeiro), algumas horas depois o governo deu aquela famosa recuada. Cancelou o aumento do IOF sobre fundos de investimento no exterior. Ufa! Respira o investidor parrudo.
Só que… adivinha?
Para o brasileiro comum, aquele que troca reais por dólares no caixa da CVC ou manda grana para o filho intercambista, o presente de grego ficou: o IOF foi mantido na deliciosa taxa de 3,5%, subindo de 1,1%. Sim, triplicou. Porque pobre pode pagar mais, né?
Haddad: o homem que “fecha brechas”
Na sexta-feira, nosso Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apareceu sereno, dizendo que não se trata de uma medida que afeta “a grande massa”.
Ah tá! Só quem compra dólar ou manda dinheiro pra fora… só um ou outro, né?
Ele ainda mandou essa pérola: “Estamos praticando IOF menor que o governo anterior. Havia brechas, essas brechas foram fechadas”.
Parabéns, Haddad, conseguiu transformar “fechar brechas” em sinônimo de “fechar o bolso do brasileiro”.
O discurso de quinta: aquele momento de firmeza
Na quinta-feira, a equipe econômica tava com sangue nos olhos:
Segundo o Secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, era “inadequado” ter IOF zerado para quem investe no exterior. Então, que tal jogar logo pra 3,5% na saída?
O Secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, também contribuiu, filosofando: “O fomento para reduzir a tributação de fundos no exterior foi feito há uma década… agora precisamos olhar para questões estruturais”.
Tradução: naquela época fazia sentido; agora precisamos de grana.
Sexta-feira: o famoso “não era bem isso…”
Eis que, na sexta, o governo, depois de ouvir uns gritos do mercado financeiro (não do povo, claro), resolveu dar aquela clássica ajustada de rota. Haddad, sempre diplomático, falou que o governo “não tem problema em corrigir rota, desde que o rumo seja mantido”.
E o rumo, meus amigos, é: aumentar arrecadação, de preferência sem causar tumulto demais. O ministro ainda soltou essa: “Foram pertinentes os apontamentos feitos [pelo mercado financeiro]”. Ou seja: quem chora mais alto, leva.
Detalhe: o recuo não foi ordem do Planalto
Pra não perder o charme da bagunça organizada, ficou claro que o Planalto não mandou recuar. Foi uma decisão técnica, aquela coisa de quem já sabia que ia dar ruim e resolveu correr antes da quebradeira.
E, veja só, conseguiram: revogaram rapidinho, evitaram parte do estrago e, como sempre, ficaram com a narrativa de que sabem ouvir o mercado.
O que ficou? A parte que pega o cidadão comum. O resto… bem, o mercado agradece.
Moral da história:
- O rico se livrou (de novo).
- O brasileiro médio vai continuar pagando mais caro pra comprar dólar ou mandar grana pra fora.
- O governo continua fazendo ginástica tributária para tentar fechar a meta fiscal.
- E a gente… segue pagando o pato (com IOF embutido).
Brasil, sil, sil!
Veja também: https://zepovinho.com/governo-aumenta-impostos-e-congela-r-31-bi-a-eterna-busca-pela-tal-meta-fiscal/