Prepare-se, jovem padawan: o Vale do Silício acaba de avançar mais um passo para se tornar a Tatooine da nossa realidade — aquele planeta quente, poeirento e, sinceramente, nada convidativo onde o Luke Skywalker sonhava em fugir para sempre.
Só que, em vez de fazendas de umidade, o que temos é um mar de startups, gente vestindo moletom de R$ 3 mil e, claro, mais uma inovação “revolucionária”.
O Google, sempre querendo ser o Jedi das Big Techs, lançou o Google Beam, uma plataforma que promete transformar aquelas suas reuniões remotas entediantes numa experiência quase tão intensa quanto um duelo de sabres de luz. A proposta? Pegar aquele vídeo 2D, chapado, sem graça, onde ninguém olha pra câmera e transformar em uma renderização 3D em tempo real. Sim, como hologramas, mas sem a parte divertida de sair faísca quando você mexe a mão.
E quem é a responsável por esse milagre? Ela mesma, a diva do momento: inteligência artificial. Aquela que já escreve textos, cria imagens, compõe músicas… e agora quer também acabar com o seu sossego no home office, colocando você “presencialmente” naquela reunião que você bem queria ter escapado.
Na prática, o Google Beam faz um ajuste maroto na luz e nas sombras do vídeo, cria um efeito de profundidade, e — voilá! — lá está você, com cara de quem dormiu três horas, mas agora em gloriosos três dimensões. O resultado é uma ilusão de “contato visual” e leitura de sinais sutis, como aquele olhar de desprezo silencioso do seu chefe quando você sugere sexta-feira off.
O amigo militante do home office? Acaba de ganhar munição nova. Agora ele vai dizer que não precisa voltar pro escritório porque já dá pra fazer “presença real” sem sair de casa. E ele vai estar certo. Infelizmente.
Mas, como sempre, tem o “porém”. Não pense que vai ser só abrir o Google Meet e sair hologramando por aí. Por enquanto, o Beam exige um trambolho — ops, digo, um dispositivo exclusivo, fruto de uma parceria Google + HP. Aquele combo clássico: inovação + mais um gadget caro pra colocar poeira na sua prateleira.
O aparelho vai ser apresentado ao público em duas semanas, com lançamento previsto ainda este ano, mas só para clientes corporativos — ou seja, aquelas empresas que podem pagar por isso e vão obrigar você a usá-lo na próxima call interminável. Inclusive, gigantes como Duolingo, Salesforce e Deloitte já testaram o brinquedo novo e soltaram aquele “é uma mudança significativa”. Tradução: mais um motivo para marcar reuniões que poderiam ser um e-mail.
E se você pensa: “Ué, cadê a parte mais importante? E o português?”. Calma, calma. O Google também anunciou a dublagem simultânea no Google Meet, já rolando para espanhol e inglês. O português vem em breve, então aguarde ansiosamente para ouvir sua voz robótica traduzindo automaticamente aquele papo furado do time global.
Bottom line: O futuro chegou, e como sempre… é caro, exclusivo e serve para deixar as reuniões ainda mais longas, só que agora em 3D.
Agora só falta mesmo o sabre de luz e o Yoda liderando o RH.