Sim, você leu certo. A primeira-dama Janja Lula da Silva vai receber a maior honraria da cultura brasileira.
Isso mesmo: a Ordem do Mérito Cultural, criada pra reconhecer gente que realmente contribuiu pra cultura do país — tipo músicos, escritores, cineastas, artistas plásticos… e agora, aparentemente, também esposas de presidentes com gosto por eventos e rede social.
A justificativa oficial? “Relevantes contribuições prestadas à cultura do país.” Não está claro se isso inclui os posts no Instagram com roupa combinando com o Lula, a curadoria do Palácio do Alvorada com vibe Pinterest, ou o fato de ela ter devolvido o sofá da Dilma. Talvez tudo isso junto. Talvez nada. A graça é justamente essa: a premiação virou uma obra aberta.
Na mesma leva de condecorados estão nomes como a atriz Fernanda Torres, o cineasta Walter Salles, e o escritor Paulo Lins (aquele mesmo, de Cidade de Deus). A diferença? Todos os três têm currículos que fazem jus à honraria. Já no caso da Janja, o mérito cultural é… ser a Janja. O que, convenhamos, pode até ser uma performance artística conceitual sobre o poder do marketing afetivo em Brasília.
É claro que a nomeação causou rebuliço. Afinal, o Brasil é aquele lugar mágico onde a esposa do presidente recebe um prêmio por “contribuições à cultura”, enquanto professores de literatura e artistas independentes seguem ralando na obscuridade. Mas, pensando bem, talvez estejamos apenas diante de uma nova forma de arte: o realismo político-fantástico. Tipo um Jorge Luis Borges, só que com assessoria de imprensa e filtro no Instagram.
A cerimônia acontece no próximo dia 5 de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Prepare-se para discursos emocionados, selfies oficiais e muita cara de paisagem de quem sabe que está vivendo o enredo de um meme em tempo real.
No fim das contas, a pergunta que fica é: quem será o próximo a ser agraciado? O perfil da SECOM no TikTok? O cara do “Lula Livre” na Avenida Paulista? O stylist do Alckmin?
Nesse ritmo, não se espante se a próxima edição do prêmio for patrocinada pela Netflix, com roteiro de sátira política e produção executiva do Gregório Duvivier.
Brasil, você nunca decepciona.