Sebastião Salgado, um dos nomes mais importantes da fotografia mundial, morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, em Paris. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização que ele fundou ao lado da esposa, Lélia Wanick Salgado. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em 1944, no interior de Minas Gerais, Sebastião deixa dois filhos e um legado incomparável. Desde que iniciou sua carreira como fotógrafo, em 1973, percorreu mais de 100 países, registrando com sensibilidade e profundidade a condição humana e a beleza do planeta.
A Amazônia e o olhar de Salgado
Uma das obras mais marcantes de sua trajetória foi a série “Amazônia”, resultado de sete anos de imersão na floresta, entre rios, montanhas e comunidades indígenas. Em entrevista à CNN, em 2022, Salgado falou sobre a exposição que rodou o mundo — Paris, Londres, Roma — antes de chegar a São Paulo.
“A Amazônia me impactou profundamente”, disse ele na ocasião. E não foi apenas pela beleza: foi também pela urgência. “Eu vi que estava havendo uma predação imensa do território. Então resolvi, como brasileiro, abdicar alguns anos da minha vida para realizar um trabalho sobre o bioma amazônico.”
O projeto não se limitou às imagens: foi uma verdadeira experiência sensorial. Ao lado de Lélia, que idealizou e montou a exposição, Salgado uniu as fotografias à trilha sonora criada por Jean-Michel Jarre, com sons reais da floresta captados no Museu de Etnologia de Genebra. “Ele compôs uma música de 52 minutos que usa esses sons no fundo. É uma música linda”, relatou o fotógrafo, emocionado.
Salgado descrevia a Amazônia como o maior espaço de diversidade cultural do planeta, com mais de 180 culturas e línguas diferentes. Para ele, a floresta era muito mais que um cenário: era um símbolo da resistência e da riqueza humana. “Os povos indígenas jamais estiveram tão ameaçados quanto hoje, mas existem organizações que estão trabalhando na mesma intensidade, como uma linha de frente na luta pelo bioma amazônico.”
A vida dedicada à fotografia
Sebastião Salgado sempre viu sua arte como extensão de sua própria existência. “Fotografia é a minha vida, o que penso, acredito, amo. Está tudo dentro dela”, afirmou certa vez.
Seu trabalho foi amplamente reconhecido e premiado. Entre os destaques, o documentário “O Sal da Terra” (2014), codirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, seu filho, que recebeu prêmio em Cannes e indicação ao Oscar.
A exposição “Amazônia” permanece em cartaz em São Paulo até 10 de julho e estreia em 19 de julho no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Mais do que uma homenagem póstuma, é um convite a contemplar a floresta e refletir sobre nosso papel diante dela.
Sebastião Salgado parte, mas deixa uma obra que transcende a fotografia: é um chamado à humanidade, à beleza e à preservação do planeta.