Ampliar a licença-paternidade traz vantagens corporativas, reduz desigualdade de gênero e melhora o desenvolvimento infantil. Sim, tudo isso com um único projeto de lei. E, acredite, quem mais tem a ganhar com isso pode ser a sua empresa.
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📅 Um problema antigo: 5 dias não dão nem pra respirar
Atualmente, os homens têm apenas 5 dias de licença-paternidade, enquanto as mães contam com 120. Desde a Constituição de 1988, esse tempo está “em aberto”, aguardando regulamentação. E adivinha? Nunca aconteceu.
O resultado disso é que, mesmo quando um homem tira os 5 dias de direito, no eSocial não aparece como licença-paternidade, mas como falta abonada. Ou seja: não existe um registro oficial de quantos pais usufruem desse direito.
Quem explica isso é Leandro Ziotto, fundador da 4Daddy e cofundador da Coalizão Licença Paternidade (CoPai), que luta por uma licença-paternidade estendida, obrigatória e remunerada.
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🔁 O jogo virou: o tema finalmente ganhou tração
De uns tempos pra cá, o debate saiu da teoria e começou a se concretizar. A sociedade já entendeu que pai presente não é “ajuda”, é responsabilidade. Uma pesquisa da CoPai em 2024 revelou que 92% da população apoia o aumento da licença-paternidade, e 63% topariam até 30 dias ou mais.
Empresas de peso como o Grupo Boticário e a Diageo já se anteciparam e estenderam a licença para 120 e até 180 dias, inclusive para pais adotivos, trans e casais homoafetivos. E a cereja do bolo? O STF deu prazo para o Congresso legislar: até junho de 2025, algo precisa mudar.
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📜 O que diz o PL do Pai Presente?
Dois projetos de lei estão tramitando: o PL 6216/2023 e o PL 3773/2023, ambos propondo uma revolução progressiva:
- 30 dias de licença no início
- Aumento gradual até 60 dias no quinto ano
- Criação do salário-paternidade, pago pelo Estado
- Possibilidade de licença parcelada (ideal para quem quer estar presente também após o retorno da mãe ao trabalho)
Esse modelo é chamado de “proposta factível”, pois respeita os limites orçamentários e traz vantagens corporativas reais e tangíveis.
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💪 Por que isso importa (muito) para os homens?
A pauta vai muito além de “direito dos pais”. Está ligada ao bem-estar infantil e à construção de vínculos afetivos. Segundo o artigo 227 da Constituição, é dever da família, da sociedade e do Estado garantir a convivência familiar.
Hoje, mais de 5,5 milhões de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento. E quando o pai está presente desde o nascimento, os resultados são claros: melhores notas, menos envolvimento com violência e drogas e melhor desenvolvimento cognitivo e emocional.
E, pasme, até a saúde dos pais melhora. Segundo Leandro Ziotto, homens que cuidam dos filhos desde o início vivem mais e lideram melhor. Isso porque aprendem a praticar o cuidado, uma masculinidade mais saudável e uma liderança mais empática.
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📈 E o que as empresas têm a ver com isso?
Tudo. Acredite: ampliar a licença-paternidade traz vantagens corporativas, desde produtividade até reputação.
Segundo a OCDE, políticas de apoio à parentalidade podem elevar o PIB per capita em até 20% no longo prazo. E um estudo da EY mostrou que empresas com licença parental remunerada reportaram:
- Aumento na moral dos funcionários (82%)
- Menor rotatividade (71%)
- Mais lucratividade (61%)
- Maior produtividade (71%)
Já o relatório “State of the World’s Fathers 2023” aponta que 45% dos homens trocariam de emprego por mais tempo de licença-paternidade. Ou seja: é também uma questão de retenção de talentos e employer branding.
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👩⚕️ E para as mães? Equidade de gênero, baby!
Ter um parceiro presente durante o puerpério faz toda a diferença. Impacta na amamentação, reduz os riscos de depressão pós-parto e melhora o vínculo familiar a longo prazo. Sem falar que ajuda a distribuir a carga mental e física do cuidado, que ainda recai majoritariamente sobre as mulheres.
“Quando o homem pode tirar pelo menos 30 dias, ele aprende, cria vínculo e tende a continuar participando da vida da criança”, reforça Camila Bruzzi, presidente da CoPai.
E vamos ser sinceros: nunca vamos alcançar equidade de gênero se só uma parte da equação for responsável pelos filhos.
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🤝 E como as empresas podem apoiar?
Segundo especialistas da CoPai, o apoio empresarial é essencial. Não basta oferecer o benefício — é preciso incentivar seu uso, com lideranças que dão o exemplo e gestores preparados para acolher a mudança.
A carta aberta da CoPai, que já reúne assinaturas de executivos e executivas de todo o país, mostra que o mercado está pronto. O momento é agora.
E se alguém ainda está achando que 30 dias é demais, Camila dá o papo: “É o mesmo tempo das férias. Não é um bicho de sete cabeças.”
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✅ Conclusão: um pequeno passo para o pai, um salto gigante para a empresa
Ampliar a licença-paternidade traz vantagens corporativas, promove saúde, equidade e engajamento. É um investimento que retorna em forma de produtividade, lealdade e marca forte. Empresas que se antecipam a essa mudança não só saem na frente — elas moldam o futuro.
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Licença-paternidade estendida não é só sobre pais. É sobre pessoas, famílias, empresas e o Brasil que a gente quer construir. 💙
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